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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Capítulo 12 - O Deolacrum

Olá, personas!
Depois de muito tempo, sai um novo capítulo! Uhul!
Pode conferir clicando aqui!

Esse capítulo ia se chamar "Respostas", mas eu esqueci e agora se chama "O poder de matar um deus". Ambos os nomes são bons, mas o segundo parece mais divertido e será mantido.

A demora para lançá-lo se deu por causa do flashback. Eu ia contar sobre o passado de John e o que aconteceu antes dele ser taxado de renegado, o que me deixou com alguma dificuldade em ligar alguns pontos. Quando finalmente planejei os detalhes do flashback, percebi que era muita coisa para ser contada agora, então o passado de John ficará para mais tarde. Que pena... :/
Ainda sobre a demora, em grande parte foi pelo tamanho do capítulo. É divertido encerrar capítulos com cliffhangers para os próximos, um bom exemplo é o final do capítulo 2, em que o texto se encerra com John e Erika mergulhando em um abismo. Esse capítulo tem um final meramente para não ficar muito grande... Enfim, a demora veio porque sou preguiçoso, isso é um bom resumo.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Capítulo 11 - O Deolacrum


Olá, personas!
Eu mudei o formato da postagem de O Deolacrum. Em vez de postar o texto eu resolvi ser inteligente ao menos uma vez na vida e postar em formato pdf sempre. Assim, além de mais organizada, a página com todos os capítulos fica muito mais simpática.
De qualquer forma, o capítulo 11 já foi postado tem um tempo e eu acabo sempre esquecendo de oficializar numa postagem. Você pode ver a página com todos os capítulos já publicados clicando na aba “O Deolacrum” ou aqui.



“Eu acabei de comprar isso!"

Comentando um pouco:
Tem um tempo já que eu desisti de dar nomes aos capítulos com dualidade de sentido e, tenho que dizer, me sinto muito liberto com isso. Ainda odeio o nome do capítulo 8, mas sinto que está havendo progresso de algum modo. O nome do capítulo 11 se origina em ambos os combatentes guardando seus trunfos. Apesar de saber o final da história, muito do meio é pensado na hora e muitos embates são decididos durante a execução, com a vitória indo para o mais hábil ou mais preparado. Pode-se dizer que a luta deste capítulo não estava programada, mais como uma consequência dos acontecimentos. É estranho para um autor falar assim da própria obra, mas é como eu me sinto, surpreendido e reagindo às ações de meus personagens tanto quanto eles. Talvez eu consiga me explicar melhor no próximo capítulo, então encerremos por aqui. Até a próxima!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Capítulo 10 - Choque de Realidade

A supervisora geral da sede da Ordem em Tordek chamava-se Fiona Galen. Uma mulher de beleza madura de 47 anos, 20 destes ocupando o cargo atual. Comandava mais de trezentas pessoas ligadas a Ordem espalhadas por todo o continente de Statera, apesar de sua jurisdição ser apenas a província de Tordek. Praticamente todos os assuntos relativos à Ordem, ocorrendo fora das 9 Cidades da Luz, acabavam por ser de sua conta e diversas dores de cabeça se originavam desse fato. Seu cabelo era loiro escuro e seus olhos azuis, sua expressão era agravada por rugas nos cantos da boca fina, que a faziam parecer estar sempre descontente com algo, o que não era de todo falso. Apesar disso, era uma pessoa extrovertida e bastante enérgica na maior parte do tempo.
Todos os caçadores sob sua autoridade lhe deviam relatórios sobre suas peripécias e façanhas. Sua atual irritação se dirigia a três desses relatórios, todos da mesma caçadora. O primeiro deles não era de todo ruim, se tratando de um dossiê encomendado que, apesar do enorme atraso, estava satisfatoriamente completo. Fiona ainda não se conformava com a petulante garota que ousou protestar contra a missão dada pelo próprio Gran Mestre da Ordem e teve de gastar um pouco de paciência para convencer Erika a cumprir o que lhe foi ordenado. Erika havia solicitado duas vezes informações sobre o paradeiro de Solomon Seward, que a levaram a pistas frias. Quando se preparava para desistir e pedir uma terceira direção, encontrou quase por acaso o renegado nos arredores de Hamaria. Mesmo assim, aquele relatório ultrapassou o prazo de entrega em dois meses, o que fez Fiona temer dar a impressão ao Gran Mestre de que sua missão fora tratada com descaso por seu pessoal.
O segundo relatório se referia à última aventura que Erika e Solomon tiveram e a supervisora não conseguia decidir qual parte dele era pior do que a outra. Um leviathan fora do oceano não só era extremamente raro, como um classe 2 não era documentado haviam centenas de anos. A mera menção de um classe 2 em um relatório obrigava Fiona a cumprir o protocolo de enviar uma equipe completa, para simplesmente examinar o corpo e arredores. Vinte anos atrás isso seria fácil de se arranjar, mas se mesmo montar uma equipe reduzida já era um inferno burocrático, mobilizar o pessoal de uma equipe que um classe 2 exigia era quase impraticável. Metade de Tordek estava infestada por moscas, os pequenos demônios devoradores de sonhos atraídos por sentimentos negativos, o que estava mantendo seus luminomantes bastante ocupados.
Erika se negou a modificar a classe do demônio que encontrou e jurou pelo seu nome o absurdo de que Solomon, possuído por alguma entidade, havia derrotado o leviathan com as próprias mãos nuas. Após isso, o renegado ainda a havia curado de um ferimento letal, fugindo do local enquanto ela estava inconsciente.

terça-feira, 14 de março de 2017

Capítulo 9 - Subindo na vida (O Deolacrum)

No sul da província de Tordek se erguia a densa, e em muitos pontos intocada, floresta de Beldurra. Trezentos quilômetros de natureza selvagem separavam a cidade de Tordek das primeiras cadeias de montanhas do reino de Krasnyy e os Reinos Fantasmas de Réphina. John tinha feito uma estimativa e irritou-se ao pensar no quanto estava longe da civilização. Olhou a planície devastada. Uma enorme clareira havia sido aberta em Beldurra relativamente próxima a uma estrada de terra mal cuidada e de aparência abandonada. Não era uma rota comum, mas era uma das muitas estradas abertas por refugiados krasnianos nos últimos anos, coincidentemente após a Segunda Cavalaria de Bahamn ter retornado das Terras Afastadas. No centro da clareira, uma vila foi construída com pedras e madeira em volta de algo que parecia ser uma catacumba piramidal esculpida em rocha. Um muro de pedras sobrepostas circundava toda a pequena cidade e pessoas trabalhavam em plantações de milho e batata nas redondezas. Apesar de todas as pessoas usarem roupas de couro um tanto rudimentares, a prosperidade dali era um contraste gritante com a decadência que John testemunhara na aldeia de Ponte Alva.
As pessoas que vira ali em sua maioria eram ruivos, mas o que mais chamava a atenção eram os indivíduos peculiares. No alto do muro, dois insectais espiavam o movimento das pessoas. Eram roxos e com detalhes em vermelho, semelhantes a vespas de asa fina com lâminas no lugar das mãos e compridas pernas de gafanhoto, agachados, mediam cerca de um metro e meio de altura. Demônios insectais estavam em grande número naquele lugar, o que não era uma surpresa. Aqueles seres não eram propriamente demônios, apesar da classificação. Eles eram subprodutos de um demônio do tipo rainha que os gerava através de ovos e almas humanas. Não possuíam uma alma escura própria, mas um fragmento do demônio original. Isso fazia com que tivessem uma inteligência bem baixa, mas ainda permitia que ele absorvessem almas e as levassem para sua mestra. Seres não inteiramente racionais que estavam mais próximos de monstros do que demônios. Sua forma tinha variações dependendo do tipo de ovo que os gerou e ali eles eram dois tipos: os pequenos e ágeis caçadores; e os enormes e fortes coletores. Sua mente os limitava a ordens simples, que eles pareciam estar executando, como caçar criaturas grandes, as carregar para dentro da cidade e não matar os humanos residentes.
Invisível, John aproximou-se com cautela da entrada da vila e pôs-se a bisbilhotar para dentro do arco de pedra que formava o portão. No lado de fora, dentro de um buraco de três metros de profundidade, alguns homens cavavam ao redor do muro, no que provavelmente seria um fosso futuramente. Um deles estapeou o rosto com raiva.
- Por que insetos adoram a nossa cara? - ele falou, irritado.
- Talvez você só os note quando estão na sua cara - disse outro, ambos sentaram para descansar enquanto os outros tiravam a terra com baldes.
Faz sentido, Stuff comentou na mente de John.
- Quê? - ele sussurrou.
Não estava prestando atenção na conversa, em vez disso, observava uma mulher que saía da vila com um balde cheio de miúdos de animais. Os vigias insectais se eriçaram e moveram as asas enquanto olhavam para a mulher. Ela despejou o balde dentro do fosso e os insectais pularam lá.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Capítulo 8 - Mentes corruptas (O Deolacrum)

No extremo sul do continente de Statera erguiam-se enormes rochas disformes por quilômetros até o mar, formando ilhas com seus picos. Essas cadeias de canyons foram nomeadas de Vale Rochoso. A região foi formada quando Réphina terraplanou um extenso território de cerca de 600 quilômetros entre as planícies do império de Bahamn ao leste, a região montanhosa de Krasnyy ao oeste e as florestas do reino de Tordek ao norte. Tal feito datava milênios e o território circundante ao castelo do Rochedo da deusa da terra era um amontoado de construções de pedra erguidas umas sobre as outras por geomantes testando suas habilidades. Tal lugar passou a ser conhecido como Reinos Fantasmas e era um infindável labirinto de várias camadas habitado por seres monstruosos e demônios nas regiões do sul, próximas ao Vale Rochoso.
A deusa da terra vivia em constante trânsito entre seu castelo e a capital das Nove Cidades, de modo que era mais comum vê-la na cidade de Tordek do que nos Reinos Fantasmas. Encontrar representantes dos Moldadores tão para o sul também era bastante raro, contudo as forças em conflito, império ou rebeldes, não arriscavam entrar nos domínios de Réphina e atrair a ira da pequena deusa. Ela que constantemente mostrava sua insatisfação com aquela guerra pelo controle do terreno mais rico em pedras de Aliir de Statera.
Outrora, como forma de nivelar o conflito, Réphina havia se posto ao lado do império para reaver o território perdido após a traição do lorde mais influente da região, conde Vladimir Nepravil, mais tarde apelidado como Rei Dragão. Isso porque Derea havia reconhecido a independência do Reino de Krasnyy e cedido alguns de seus servos à causa do novo governo. Réphina sabia que sua filha estava ironicamente “pondo lenha na fogueira” ao incentivar aquela guerra e se sentiu responsável. Entretanto ela nunca teve muita paciência com os mesquinhos atritos humanos e, quando o império começou a se aproveitar do nome da deusa da terra, ela perdeu o interesse por aquela questão, decretando a proibição de seu território a ambos os lados. Não havia pessoa nascida em Statera que não conhecesse as histórias da prisão do castelo do Rochedo, para onde iam os que ousavam desrespeitar a pequena deusa, assim como sobre seus prisioneiros milenares, não menos que alguns dos mais poderosos seres que carregavam o título de “deuses caídos”.

domingo, 18 de setembro de 2016

Capítulo 7 - Sangue frio (O Deolacrum)



John havia perambulado pelo hall do palácio de Veh um bom tempo coletando informações, antes de descobrir aonde ficavam as mesas de alistamento que procurava. Descobriu que havia um lugar mais reservado, destinado a esse fim e separado do salão principal por uma cortina vermelha entreaberta. Lá só haviam quatro bancadas e a fila era significantemente menor.
- Olá - disse John, em sua vez, para a mulher de cabelo dourado escuro preso atrás de uma das mesas debruçada em cima de um grande livro de registros - Quero me juntar aos Seguidores.
- Claro que quer - disse ela levemente entediada, enquanto folheava seu livro e girava a caneta na mão.
John deu uma olhada nas outras três mesas de cadastro. Diferente dos outros atendentes, aqueles do registro pareciam mais com guerreiros do que com funcionários. Havia um que inclusive parecia um veterano de guerra, com o olho esquerdo cego e inúmeras cicatrizes.
- Nome e ascendência - pediu a mulher, tendo encontrado uma página em branco.
- Solomon John, de Deuce - John hesitou - Filho da Lua.
A mulher estreitou os olhos para o cabelo de John, e ele a viu escrevendo “filho das Sombras”.
- Deuce é para o leste, não? Para o lado das Ilhas Sombrias. Não vai ser julgado por isso aqui - ela explicou - É evocador?
- Não - ele se sentia em parte aliviado, mas ainda nervoso por ter omitido o sobrenome. Felizmente, haviam muitos cabelos negros em sua cidade natal... Se ignorasse a cor dos olhos ele passaria facilmente por um qualquer.
- Presumindo que não possui uma pedra de Aliir. Tem condições de comprar uma?
- Não.
- Certo. Sabe usar isso aí? - ela indicou a espada de John com o nariz.
- Relativamente bem.
- Por que se juntar aos Seguidores de Veh?
- Eu... - ele parou para pensar, por que era mesmo?
Aquele ambiente era familiar e as coisas ocorriam conforme se lembrava. Mas havia algo estranho, como se alguém o observasse das sombras. Ele se sentia desconfortável com essa sensação.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Capítulo 6 - Noite sem estrelas (O Deolacrum)


A primeira coisa que sentiu foi a dor. Suas pernas latejavam e se retesavam em agonia. Demorou alguns instantes para perceber que aquela dor lhe pertencia, encravada em seu ser. Estava de bruços, respirando tremulamente e com o rosto enfiado na grama dura. Notou uma dor surda nos dentes e mandíbula. Tentou se mover e a dor nas pernas explodiu, como se milhares de cacos de vidro rasgassem sua pele. John arrastou-se para perto de uma árvore e deu uma olhada em si, sentando-se com as costas escoradas. Vestia uma confusão de retalhos com inúmeras manchas escuras, que percebeu serem os restos de seu sobretudo. Sua calça estava bastante puída e manchada de sangue seco. Rangendo os dentes, ele tirou o cinto onde a bainha de uma única de suas espadas estava pendurada, jogando para o lado, e baixou as calças com cuidado. Esperava encontrar inúmeros insetos a bicarem-lhe, mas o que viu fez John soltar uma bufada de terror: suas pernas estavam enroladas apertado com metros e mais metros de arame farpado. Viu o brilho prateado do metal de suas setas e temeu por um segundo que também estivessem cravadas na carne, mas elas haviam sido colocadas de modo a unir o trançado do arame. Ele supos que, se puxasse-as, conseguiria desamarrar as pernas com mais facilidade.
Então você acordou mesmo, disse uma voz em sua cabeça.
John sentiu seu coração palpitar de medo, mas uma onda de tranquilidade o inundou em seguida.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Capítulo 5 - Vigilância


Os dois guardas adentraram no terreno da fazenda e avistaram um casal indo de encontro a eles. Fred tinha o rosto inchado e cheio de hematomas, havia levado uma surra e tanto. O guarda chamado Gary era grande e um pouco calvo, com um bigode denso branco, cumprimentou o homem com um aceno de cabeça. Trajava uma armadura de couro leve e carregava uma pedra de Aliir verde escura em sua manopla. Seu companheiro, Joe, era franzino e de cabelo crespo preto, usava um sobretudo cinza com detalhes laranjas e sua pedra era de um vermelho sangue. Faziam parte da milícia do exército de Tordek, que dava suporte aos territórios afastados da cidade-estado.
- Ele está lá dentro! - disse Fred quando se encontraram, indicando a casa de madeira no fim da trilha de pedra que cruzava a fazenda - Com as minhas filhas!
- Ele está armado? - perguntou Gary - É evocador?
- Uma espada e uns… pregos! - o homem torceu a boca, um dos olhos serrado pelo inchasso no rosto.
- Tem um colar com uma coisa dessas - disse a esposa, apontando para pedra de Gary - Mas ele não usou nada disso.
- Ele é muito forte! - completou Fred - E tem obrigado minhas filhas a fazer coisas horríveis!
- Mas ele não fez mal às meninas. Na verdade… - olhou o marido de soslaio - Ele é bem gentil. Diz ser Solomon Seward!
- Hum - grunhiu Gary - Eu odeio esses farsantes.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Capítulo 4 - Negociações


Capítulo anterior aqui 
História completa (publicada) aqui


Se precisasse de uma palavra para resumir a situação, "tédio" seria a que mais se enquadraria. Estava preso àquela hospedaria já haviam quase dois dias. Charles dissera que a garota não corria perigo, mas Eddy tivera de ajudar a controlar sua febre duas vezes no tempo em que esteve de vigia. Não que fosse muito difícil a um piromante regular a temperatura de um corpo, ou muito desagradável para isso ter de tocar aquela jovem , mas ele sentia-se levemente abandonado. Os outros haviam recolhido o cristal e partido, enquanto ele fora deixado de babá.
Estava atirado em um sofá de dois lugares observando a garota dormir. "Não desgrude dela" fora uma das instruções do capitão. Tinha de esperar ela acordar e descobrir tudo que pudesse sobre o que ela havia visto, só então estaria autorizado a retornar à base. Expirou com irritação. Recostou-se, elevando os pés para a guarda do sofá, os dedos da mão direita entrelaçados com a franja, enquanto a outra mão acomodava a nuca. Fitou o teto por um tempo, mas sua atenção vagou distraidamente para a garota. O rosto delicado, olhos grandes e cabelo volumoso loiro, tudo parecia em perfeita harmonia, exercendo com minúcia o objetivo de torná-la bela. Observou o volume do peito tapado pela coberta subir e descer com sua respiração. Lembrou de quando ajudou Charles a examiná-la. Pela quantidade de sangue e o buraco na camisa, o aquamante receara que Eddy tivesse de fazer uma cauterização. Mas o ferimento estava longe de ser grave, de modo que não havia muito o que poderiam ou precisavam fazer. Sua lembrança resvalou para o par de seios que vislumbrou. A pele alva, a curva impecável, aureolas delicadas e tão claras, quase da mesma cor da pele. Foi a visão mais encantadora que tivera em muito tempo, constatou. Uma visão tão pura e ao mesmo tempo tão sensual que lhe fizera lembrar da deusa do fogo.
- Perfeitos - disse em meia voz, para enfatizar.
A garota murmurou, como que em resposta. Remexeu-se e abriu os olhos. Duas esmeraldas percrustaram o teto. Ela piscou duas vezes, depois sentou de sobressalto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Capítulo 1 - A dúvida do renegado

A floresta em volta da vila de Hamaria se estendia alguns quilômetros até a base de um morro. Era noite e uma criatura espreitava por entre as árvores altas, um humanoide de pele vermelha pálida, tinha um corpo muito magro trajando trapos de couro. De rosto fino e cabelos marrom escuro desgrenhados, os olhos amarelos e de conjuntiva negra fitaram um cervo espiar a volta. A criatura arranhou a casca de uma árvore próxima com as unhas pontudas da mão, ansioso. Apontou dois dedos da outra mão para o animal e murmurou alguma coisa. Uma pequena bola de fogo surgiu da ponta de seus dedos e disparou na direção do animal, acertando o alvo, que guinchou de susto e correu para dentro da mata. O homem avermelhado praguejou e arrancou um pedaço da árvore que segurava, jogando as lascas para longe em seguida. Sentou no chão e encarou o céu estrelado, por entre as folhagens, por algum tempo. Arregalou os olhos ao perceber numa árvore próxima a silhueta de alguém acocorado entre os galhos. Ia se levantar de sobressalto, mas a explosão de dor que surgiu em seu ombro o fez sentar novamente. Uma aste de metal com uma argola na ponta pendia, cravada profundamente na pele entre o braço direito e o tronco. Tentar mexê-lo trazia muita dor, então segurou o braço e disparou numa fuga arfante e desesperada. Outra seta projetou-se nas costas de seu joelho esquerdo, fazendo-o gritar e cair no chão. Tentou puxá-la, mas isso piorava a dor. Observou, atônito, um homem encapuzado se aproximar calmamente, girando uma seta semelhante pela argola com o dedo médio direito.
- Um demônio caçando? - disse ele, o rosto escondido pela escuridão - Que piada.
- Por favor - o demônio choramingou - Não me mate, eu nunca ataquei um humano. Eu só tento sobreviver. Eu juro!
O encapuzado o encarou por alguns segundos, como que refletindo a situação, e o demônio tentou parecer tão pouco ameaçador quanto realmente se sentia. Cessou o giro da seta e guardou-a na manga do sobretudo, suspirando.
- Se eu não tivesse visto aquela sua evocação deplorável, você já estaria morto - virou as costas e andou para longe - Se eu pensar que você andou aprontando alguma, nem a floresta inteira pode te esconder de mim.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Capítulo 3 - Perdido


Capítulo anterior aqui

    A pequena luz de Erika encontrou-os no fundo do poço. Revelou um ambiente circular de cerca de 20 metros de diâmetro, com algumas pilhas de pedra recostadas para dois lados formando uma espécie de trilha entre elas. Levava de um buraco escavado na parede, de um lado, a uma porta dupla de pedra meia aberta, do outro. John olhava em volta enquanto Erika se concentrava em respirar devagar, de olhos fechados e sentada num bloco de pedra. Um aeromante, pensou com o coração pulsando forte. Passado o pânico, sentia a raiva crescer. Quando ele fez os dois despencarem ela repeliu com ferocidade a vontade de gritar, agarrando-se com força ao amigo. Caíram por não mais que dois segundos, quando uma ventania os envolveu e os desacelerou. Um maldito aeromante. Escreveria aquilo em seu relatório com satisfação doentia.
    - Você tinha razão - a voz de John ressoou pelo ar frio e úmido, ele indicou o túnel escavado - Havia outro caminho.
    Ela lhe deu um olhar de ódio palpável que ele respondeu com um sorriso brincalhão. A luminomante levantou, conduzindo sua luz para a porta de pedra sem dizer palavra. John a seguiu e entraram em um aposento quadrado, não muito grande, com dois corredores opostos entre si nas paredes laterais. O inseto brilhante iluminou a sala com facilidade, revelando um bloco entalhado de pedra na parede a frente deles. Uma cabeça mumificada de pele enegrecida os encarava com olhos brancos desprovidos de pálpebras e um sorriso de pele repuxada.
    - Oh ho - fez John.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Confiança

Capítulo anterior aqui

     A hospedaria não estava exatamente cheia. Haviam lugares a se escolher e as atendentes não estavam muito ocupadas. Num canto quieto, as gotas de chuva escorriam preguiçosamente pela janela, observadas por uma jovem atraente sentada a uma mesa, sozinha. Seus cabelos de um louro claro, curtos, mal chegando até os ombros. Eram lisos, descrevendo arcos em direção ao pescoço. A franja, comprida como os outros fios, cobrindo parcialmente o rosto, as mãos unidas apoiando o queixo fino e os olhos verdes de expressão cuidadosamente vazia tinham o objetivo de desestimular abordagens, mas isto fora ignorado várias vezes. Erika aguentou alguns "Posso lhe oferecer uma bebida?", "A moça tem companhia?" e até um "Quem deixaria uma dama tão bela esperando?". Depois decidiu pedir um par de canecos de madeira com uma cerveja grossa, que a atendente indicou como ideal para dois viajantes. Ambas as bebidas uniram-se sem protesto na espera, e serviram melhor do que ela esperava para alertar novos clientes que entravam de que ela não estava ali para investidas. Viu pelo reflexo do vidro, espelhado pela fria noite lá fora, um homem atravessar a porta do bar. Tinha um sobretudo característico de um evocador mercenário: gola alta, cinza e gasto. As mangas propositalmente compridas cobriam a pedra de Aliir nas costas de sua luva direita. Carregava duas espadas curtas presas a um grosso cinto de tiras de couro em ambos os lados do corpo. Ele tirou o capuz e olhou em volta, batendo distraidamente a água da roupa. Seus olhos e cabelo eram tão pretos quanto a cor podia ser. A tez pálida como uma vela e a expressão cansada. Tal expressão iluminou-se um pouco com um vago sorriso ao avistar Erika. John sentou a sua frente e, como ela o ignorou, continuando a fitar a noite, falou a seu reflexo: - Desculpe se demorei - deu-lhe um sorriso comedido que ela respondeu com um olhar frio - Oh - notou o caneco em seu lado da mesa - Não percebi que a dama estava acompanhada - fez uma mesura exagerada e fez menção de se levantar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Terra do Pesadelo vs O Deolacrum

<Texto referente a primeira versão do capítulo 1 de "O Deolacrum" que não está mais disponível aqui>
   Olá pessoas!
   Talvez tenham notado que abaixo segue um pequeno capítulo. Se tiverem lido-o talvez, só talvez, tenham notado alguns nomes familiares. Pois é. Apresento-vos uma reformulação da antiga história que eu vinha postando aqui no blog. E qual a diferença? Bom, em tempos passados eu disse que havia criado um novo universo, mais rico, detalhado e divertido. Tinha a magia que eu precisava para equilibrar as coisas para os personagens e um chamado deus da morte de mesmo nome que o da Terra do Pesadelo. O que eu decidi, em suma, foi aproveitar a ideia da antiga história e anexá-la a esse novo universo. Pois bem, o que muda? Enumeremos:
  1. Espaço tempo - A nova história possui uma timeline parecida com a antiga, com leves diferenças. John está mais velho e experiente e Erika ainda pertence a Ordem de Tesluh.
  2. Princípios - Lembrando que, na antiga versão, Erika já não é mais Caçadora e John segue firme e forte, temos algumas diferenças cruciais. John desiludiu-se cerca de três anos antes ao perceber que suas ações como Caçador não surtiam tanto efeito no combate as forças demoníacas quanto a Ordem passava. Assim, seus métodos pouco ortodoxos foram mal quistos, ele foi banido da organização e taxado como "renegado". Isso não o impediu de prosseguir em sua luta, mas hoje em dia tenta permanecer fora da vista, apesar de que cada homem, mulher ou criança no mundo conheça seu nome e sua fama.
  3. Panteão de deuses - Nesse capítulo só foram revelados e identificados rasamente dois nomes, Tesluh (como deus da luz) e Helort (como deus das sombras). Em breve vou criar uma espécie de glossário detalhando coisas como lista de deuses e poderes a eles atribuídos. O que adianto é que são 9.
  4. Background - Se você leu a história antiga, sabe alguns detalhes que podem dar spoilers sobre o passado de John. Aqui, eu modifiquei um pouco o jeito que ele montou sua fama. Ele sim, matou um demônio voador (mas não foi o Liw, que nome idiota... eu era péssimo em nomes), e sim, ganhou fama por isso, mas isso influenciará de outra forma na história. Ele perdeu sua família, mas não por um grupo de desertores e sim por demônios numa espécie de retaliação. Sua irmã morreu de forma estranha? Bom... como eu disse, spoilers.
  5. Demônios - Quando eu comecei, queria fugir um pouco do clichê do diabão, mas... pra que complicar? Demônios são seres vermelhos, feios e chifrudos. Alguns se desenvolvem de maneira diferente com o crescimento de seu poder. Sim, poder! Eles tem que fazer algo com as almas que absorvem, não? No nível mais baixo, são simples espectros que podem influenciar os humanos se tiverem acesso a uma alma. Pra que ele possa fazer isso, um ceifeiro tem que dar mole e... Opa! Uma alminha caída dando sopa. Assim, eles podem acessar o plano material possuindo alguém, homem ou animal, e transmutar o corpo de acordo com a quantidade de almas que absorver a partir daí. A respeito de sua forma de espectro, eles são um tipo diferente de alma, habitada por trevas, impedindo que os ceifeiros possam coletá-los, mesmo que alguém consiga matá-los. Logo depois de "mortos", os demônios ficam muito debilitados. Assim, depois de descansarem e recobrarem um pouco de sua energia, o ciclo recomeça e eles partem em busca de um novo corpo.
  6. Mundos ou Reinos - É citado nesse capítulo uma língua de um lugar de nome estranho, Seteria. Além disso, outro lugar é mencionado, Dagea. Ambos fazem parte de um conjunto de quatro mundos. São eles: Seteria, o reino das trevas, onde a luz se faz ausente; Dagea, o reino das sombras, para onde as almas dos mortos retornam; Austera, o reino da luz, de onde vem a vida; e o sujo e maltratado, mas acolhedor, mundo dos homens, onde a energia que rege o equilíbrio circula.
  7. Ordem - Basicamente, é a força filantrópica da humanidade, com o devido apoio de Tesluh e alguns deuses, que se opõe ao mal que habita o mundo. Forma soldados excepcionais na luta constante contra os demônios.