quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Capítulo 4 - Negociações


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História completa (publicada) aqui


Se precisasse de uma palavra para resumir a situação, "tédio" seria a que mais se enquadraria. Estava preso àquela hospedaria já haviam quase dois dias. Charles dissera que a garota não corria perigo, mas Eddy tivera de ajudar a controlar sua febre duas vezes no tempo em que esteve de vigia. Não que fosse muito difícil a um piromante regular a temperatura de um corpo, ou muito desagradável para isso ter de tocar aquela jovem , mas ele sentia-se levemente abandonado. Os outros haviam recolhido o cristal e partido, enquanto ele fora deixado de babá.
Estava atirado em um sofá de dois lugares observando a garota dormir. "Não desgrude dela" fora uma das instruções do capitão. Tinha de esperar ela acordar e descobrir tudo que pudesse sobre o que ela havia visto, só então estaria autorizado a retornar à base. Expirou com irritação. Recostou-se, elevando os pés para a guarda do sofá, os dedos da mão direita entrelaçados com a franja, enquanto a outra mão acomodava a nuca. Fitou o teto por um tempo, mas sua atenção vagou distraidamente para a garota. O rosto delicado, olhos grandes e cabelo volumoso loiro, tudo parecia em perfeita harmonia, exercendo com minúcia o objetivo de torná-la bela. Observou o volume do peito tapado pela coberta subir e descer com sua respiração. Lembrou de quando ajudou Charles a examiná-la. Pela quantidade de sangue e o buraco na camisa, o aquamante receara que Eddy tivesse de fazer uma cauterização. Mas o ferimento estava longe de ser grave, de modo que não havia muito o que poderiam ou precisavam fazer. Sua lembrança resvalou para o par de seios que vislumbrou. A pele alva, a curva impecável, aureolas delicadas e tão claras, quase da mesma cor da pele. Foi a visão mais encantadora que tivera em muito tempo, constatou. Uma visão tão pura e ao mesmo tempo tão sensual que lhe fizera lembrar da deusa do fogo.
- Perfeitos - disse em meia voz, para enfatizar.
A garota murmurou, como que em resposta. Remexeu-se e abriu os olhos. Duas esmeraldas percrustaram o teto. Ela piscou duas vezes, depois sentou de sobressalto.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Deuses e a magia - Deolacrum



Tabela de Deuses:

Pilar
Lua
Sol
Mente
Caos
Líder
Helort (3)
Tesluh (3)
Limbo** (3)
Trevas* (3)
Guardião
Hoster (2)
Veh (2)
Réphina (2)
Emedor** (2)
Juramentado
Derea (1)
Ágata (1)
Aliir (1)
Corrupção* (1)

(nº) nível de poder, 1 é vassalo, 2 é guardião e 3 é líder
* deuses inomináveis
** deuses esquecidos

Níveis de Poder:
Um evocador pode ser apadrinhado por um ou mais deuses e, por meio de uma pedra de Aliir, passa a ser capaz de executar a sortidão de magias correspondente ao elemento em questão. Mas há limitações e, na soma, os níveis não devem passar de 6. Com relativa facilidade, um evocador pode adquirir o apoio de todos os deuses de um pilar (Ex: Tesluh, Veh e Ágata), pois o de baixo é submisso ao imediatamente acima. Porém, nada impede que o evocador adquira apoio diverso, respeitando a limitação de nível e as desavenças entre os deuses.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Capítulo 1 - A dúvida do renegado

A floresta em volta da vila de Hamaria se estendia alguns quilômetros até a base de um morro. Era noite e uma criatura espreitava por entre as árvores altas, um humanoide de pele vermelha pálida, tinha um corpo muito magro trajando trapos de couro. De rosto fino e cabelos marrom escuro desgrenhados, os olhos amarelos e de conjuntiva negra fitaram um cervo espiar a volta. A criatura arranhou a casca de uma árvore próxima com as unhas pontudas da mão, ansioso. Apontou dois dedos da outra mão para o animal e murmurou alguma coisa. Uma pequena bola de fogo surgiu da ponta de seus dedos e disparou na direção do animal, acertando o alvo, que guinchou de susto e correu para dentro da mata. O homem avermelhado praguejou e arrancou um pedaço da árvore que segurava, jogando as lascas para longe em seguida. Sentou no chão e encarou o céu estrelado, por entre as folhagens, por algum tempo. Arregalou os olhos ao perceber numa árvore próxima a silhueta de alguém acocorado entre os galhos. Ia se levantar de sobressalto, mas a explosão de dor que surgiu em seu ombro o fez sentar novamente. Uma aste de metal com uma argola na ponta pendia, cravada profundamente na pele entre o braço direito e o tronco. Tentar mexê-lo trazia muita dor, então segurou o braço e disparou numa fuga arfante e desesperada. Outra seta projetou-se nas costas de seu joelho esquerdo, fazendo-o gritar e cair no chão. Tentou puxá-la, mas isso piorava a dor. Observou, atônito, um homem encapuzado se aproximar calmamente, girando uma seta semelhante pela argola com o dedo médio direito.
- Um demônio caçando? - disse ele, o rosto escondido pela escuridão - Que piada.
- Por favor - o demônio choramingou - Não me mate, eu nunca ataquei um humano. Eu só tento sobreviver. Eu juro!
O encapuzado o encarou por alguns segundos, como que refletindo a situação, e o demônio tentou parecer tão pouco ameaçador quanto realmente se sentia. Cessou o giro da seta e guardou-a na manga do sobretudo, suspirando.
- Se eu não tivesse visto aquela sua evocação deplorável, você já estaria morto - virou as costas e andou para longe - Se eu pensar que você andou aprontando alguma, nem a floresta inteira pode te esconder de mim.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Capítulo 3 - Perdido


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    A pequena luz de Erika encontrou-os no fundo do poço. Revelou um ambiente circular de cerca de 20 metros de diâmetro, com algumas pilhas de pedra recostadas para dois lados formando uma espécie de trilha entre elas. Levava de um buraco escavado na parede, de um lado, a uma porta dupla de pedra meia aberta, do outro. John olhava em volta enquanto Erika se concentrava em respirar devagar, de olhos fechados e sentada num bloco de pedra. Um aeromante, pensou com o coração pulsando forte. Passado o pânico, sentia a raiva crescer. Quando ele fez os dois despencarem ela repeliu com ferocidade a vontade de gritar, agarrando-se com força ao amigo. Caíram por não mais que dois segundos, quando uma ventania os envolveu e os desacelerou. Um maldito aeromante. Escreveria aquilo em seu relatório com satisfação doentia.
    - Você tinha razão - a voz de John ressoou pelo ar frio e úmido, ele indicou o túnel escavado - Havia outro caminho.
    Ela lhe deu um olhar de ódio palpável que ele respondeu com um sorriso brincalhão. A luminomante levantou, conduzindo sua luz para a porta de pedra sem dizer palavra. John a seguiu e entraram em um aposento quadrado, não muito grande, com dois corredores opostos entre si nas paredes laterais. O inseto brilhante iluminou a sala com facilidade, revelando um bloco entalhado de pedra na parede a frente deles. Uma cabeça mumificada de pele enegrecida os encarava com olhos brancos desprovidos de pálpebras e um sorriso de pele repuxada.
    - Oh ho - fez John.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Confiança

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     A hospedaria não estava exatamente cheia. Haviam lugares a se escolher e as atendentes não estavam muito ocupadas. Num canto quieto, as gotas de chuva escorriam preguiçosamente pela janela, observadas por uma jovem atraente sentada a uma mesa, sozinha. Seus cabelos de um louro claro, curtos, mal chegando até os ombros. Eram lisos, descrevendo arcos em direção ao pescoço. A franja, comprida como os outros fios, cobrindo parcialmente o rosto, as mãos unidas apoiando o queixo fino e os olhos verdes de expressão cuidadosamente vazia tinham o objetivo de desestimular abordagens, mas isto fora ignorado várias vezes. Erika aguentou alguns "Posso lhe oferecer uma bebida?", "A moça tem companhia?" e até um "Quem deixaria uma dama tão bela esperando?". Depois decidiu pedir um par de canecos de madeira com uma cerveja grossa, que a atendente indicou como ideal para dois viajantes. Ambas as bebidas uniram-se sem protesto na espera, e serviram melhor do que ela esperava para alertar novos clientes que entravam de que ela não estava ali para investidas. Viu pelo reflexo do vidro, espelhado pela fria noite lá fora, um homem atravessar a porta do bar. Tinha um sobretudo característico de um evocador mercenário: gola alta, cinza e gasto. As mangas propositalmente compridas cobriam a pedra de Aliir nas costas de sua luva direita. Carregava duas espadas curtas presas a um grosso cinto de tiras de couro em ambos os lados do corpo. Ele tirou o capuz e olhou em volta, batendo distraidamente a água da roupa. Seus olhos e cabelo eram tão pretos quanto a cor podia ser. A tez pálida como uma vela e a expressão cansada. Tal expressão iluminou-se um pouco com um vago sorriso ao avistar Erika. John sentou a sua frente e, como ela o ignorou, continuando a fitar a noite, falou a seu reflexo: - Desculpe se demorei - deu-lhe um sorriso comedido que ela respondeu com um olhar frio - Oh - notou o caneco em seu lado da mesa - Não percebi que a dama estava acompanhada - fez uma mesura exagerada e fez menção de se levantar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Terra do Pesadelo vs O Deolacrum

<Texto referente a primeira versão do capítulo 1 de "O Deolacrum" que não está mais disponível aqui>
   Olá pessoas!
   Talvez tenham notado que abaixo segue um pequeno capítulo. Se tiverem lido-o talvez, só talvez, tenham notado alguns nomes familiares. Pois é. Apresento-vos uma reformulação da antiga história que eu vinha postando aqui no blog. E qual a diferença? Bom, em tempos passados eu disse que havia criado um novo universo, mais rico, detalhado e divertido. Tinha a magia que eu precisava para equilibrar as coisas para os personagens e um chamado deus da morte de mesmo nome que o da Terra do Pesadelo. O que eu decidi, em suma, foi aproveitar a ideia da antiga história e anexá-la a esse novo universo. Pois bem, o que muda? Enumeremos:
  1. Espaço tempo - A nova história possui uma timeline parecida com a antiga, com leves diferenças. John está mais velho e experiente e Erika ainda pertence a Ordem de Tesluh.
  2. Princípios - Lembrando que, na antiga versão, Erika já não é mais Caçadora e John segue firme e forte, temos algumas diferenças cruciais. John desiludiu-se cerca de três anos antes ao perceber que suas ações como Caçador não surtiam tanto efeito no combate as forças demoníacas quanto a Ordem passava. Assim, seus métodos pouco ortodoxos foram mal quistos, ele foi banido da organização e taxado como "renegado". Isso não o impediu de prosseguir em sua luta, mas hoje em dia tenta permanecer fora da vista, apesar de que cada homem, mulher ou criança no mundo conheça seu nome e sua fama.
  3. Panteão de deuses - Nesse capítulo só foram revelados e identificados rasamente dois nomes, Tesluh (como deus da luz) e Helort (como deus das sombras). Em breve vou criar uma espécie de glossário detalhando coisas como lista de deuses e poderes a eles atribuídos. O que adianto é que são 9.
  4. Background - Se você leu a história antiga, sabe alguns detalhes que podem dar spoilers sobre o passado de John. Aqui, eu modifiquei um pouco o jeito que ele montou sua fama. Ele sim, matou um demônio voador (mas não foi o Liw, que nome idiota... eu era péssimo em nomes), e sim, ganhou fama por isso, mas isso influenciará de outra forma na história. Ele perdeu sua família, mas não por um grupo de desertores e sim por demônios numa espécie de retaliação. Sua irmã morreu de forma estranha? Bom... como eu disse, spoilers.
  5. Demônios - Quando eu comecei, queria fugir um pouco do clichê do diabão, mas... pra que complicar? Demônios são seres vermelhos, feios e chifrudos. Alguns se desenvolvem de maneira diferente com o crescimento de seu poder. Sim, poder! Eles tem que fazer algo com as almas que absorvem, não? No nível mais baixo, são simples espectros que podem influenciar os humanos se tiverem acesso a uma alma. Pra que ele possa fazer isso, um ceifeiro tem que dar mole e... Opa! Uma alminha caída dando sopa. Assim, eles podem acessar o plano material possuindo alguém, homem ou animal, e transmutar o corpo de acordo com a quantidade de almas que absorver a partir daí. A respeito de sua forma de espectro, eles são um tipo diferente de alma, habitada por trevas, impedindo que os ceifeiros possam coletá-los, mesmo que alguém consiga matá-los. Logo depois de "mortos", os demônios ficam muito debilitados. Assim, depois de descansarem e recobrarem um pouco de sua energia, o ciclo recomeça e eles partem em busca de um novo corpo.
  6. Mundos ou Reinos - É citado nesse capítulo uma língua de um lugar de nome estranho, Seteria. Além disso, outro lugar é mencionado, Dagea. Ambos fazem parte de um conjunto de quatro mundos. São eles: Seteria, o reino das trevas, onde a luz se faz ausente; Dagea, o reino das sombras, para onde as almas dos mortos retornam; Austera, o reino da luz, de onde vem a vida; e o sujo e maltratado, mas acolhedor, mundo dos homens, onde a energia que rege o equilíbrio circula.
  7. Ordem - Basicamente, é a força filantrópica da humanidade, com o devido apoio de Tesluh e alguns deuses, que se opõe ao mal que habita o mundo. Forma soldados excepcionais na luta constante contra os demônios.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Gameplay 01 Gta San Andreas



Fala, pessoal. Estou numa vibe de fazer gameplays sem pretensão nenhuma. Então fiz esse fodendo video e espero que gostem. Muito provável que hajam novos. :3