sexta-feira, 31 de março de 2017

Brabuletas! - Skyrim

Quando o personagem não sabe reagir ao seu comando.
Afinal, quem iria querer "pegar" uma borboleta?

Capítulo 10 - Choque de Realidade

A supervisora geral da sede da Ordem em Tordek chamava-se Fiona Galen. Uma mulher de beleza madura de 47 anos, 20 destes ocupando o cargo atual. Comandava mais de trezentas pessoas ligadas a Ordem espalhadas por todo o continente de Statera, apesar de sua jurisdição ser apenas a província de Tordek. Praticamente todos os assuntos relativos à Ordem, ocorrendo fora das 9 Cidades da Luz, acabavam por ser de sua conta e diversas dores de cabeça se originavam desse fato. Seu cabelo era loiro escuro e seus olhos azuis, sua expressão era agravada por rugas nos cantos da boca fina, que a faziam parecer estar sempre descontente com algo, o que não era de todo falso. Apesar disso, era uma pessoa extrovertida e bastante enérgica na maior parte do tempo.
Todos os caçadores sob sua autoridade lhe deviam relatórios sobre suas peripécias e façanhas. Sua atual irritação se dirigia a três desses relatórios, todos da mesma caçadora. O primeiro deles não era de todo ruim, se tratando de um dossiê encomendado que, apesar do enorme atraso, estava satisfatoriamente completo. Fiona ainda não se conformava com a petulante garota que ousou protestar contra a missão dada pelo próprio Gran Mestre da Ordem e teve de gastar um pouco de paciência para convencer Erika a cumprir o que lhe foi ordenado. Erika havia solicitado duas vezes informações sobre o paradeiro de Solomon Seward, que a levaram a pistas frias. Quando se preparava para desistir e pedir uma terceira direção, encontrou quase por acaso o renegado nos arredores de Hamaria. Mesmo assim, aquele relatório ultrapassou o prazo de entrega em dois meses, o que fez Fiona temer dar a impressão ao Gran Mestre de que sua missão fora tratada com descaso por seu pessoal.
O segundo relatório se referia à última aventura que Erika e Solomon tiveram e a supervisora não conseguia decidir qual parte dele era pior do que a outra. Um leviathan fora do oceano não só era extremamente raro, como um classe 2 não era documentado haviam centenas de anos. A mera menção de um classe 2 em um relatório obrigava Fiona a cumprir o protocolo de enviar uma equipe completa, para simplesmente examinar o corpo e arredores. Vinte anos atrás isso seria fácil de se arranjar, mas se mesmo montar uma equipe reduzida já era um inferno burocrático, mobilizar o pessoal de uma equipe que um classe 2 exigia era quase impraticável. Metade de Tordek estava infestada por moscas, os pequenos demônios devoradores de sonhos atraídos por sentimentos negativos, o que estava mantendo seus luminomantes bastante ocupados.
Erika se negou a modificar a classe do demônio que encontrou e jurou pelo seu nome o absurdo de que Solomon, possuído por alguma entidade, havia derrotado o leviathan com as próprias mãos nuas. Após isso, o renegado ainda a havia curado de um ferimento letal, fugindo do local enquanto ela estava inconsciente.

terça-feira, 14 de março de 2017

Capítulo 9 - Subindo na vida (O Deolacrum)

No sul da província de Tordek se erguia a densa, e em muitos pontos intocada, floresta de Beldurra. Trezentos quilômetros de natureza selvagem separavam a cidade de Tordek das primeiras cadeias de montanhas do reino de Krasnyy e os Reinos Fantasmas de Réphina. John tinha feito uma estimativa e irritou-se ao pensar no quanto estava longe da civilização. Olhou a planície devastada. Uma enorme clareira havia sido aberta em Beldurra relativamente próxima a uma estrada de terra mal cuidada e de aparência abandonada. Não era uma rota comum, mas era uma das muitas estradas abertas por refugiados krasnianos nos últimos anos, coincidentemente após a Segunda Cavalaria de Bahamn ter retornado das Terras Afastadas. No centro da clareira, uma vila foi construída com pedras e madeira em volta de algo que parecia ser uma catacumba piramidal esculpida em rocha. Um muro de pedras sobrepostas circundava toda a pequena cidade e pessoas trabalhavam em plantações de milho e batata nas redondezas. Apesar de todas as pessoas usarem roupas de couro um tanto rudimentares, a prosperidade dali era um contraste gritante com a decadência que John testemunhara na aldeia de Ponte Alva.
As pessoas que vira ali em sua maioria eram ruivos, mas o que mais chamava a atenção eram os indivíduos peculiares. No alto do muro, dois insectais espiavam o movimento das pessoas. Eram roxos e com detalhes em vermelho, semelhantes a vespas de asa fina com lâminas no lugar das mãos e compridas pernas de gafanhoto, agachados, mediam cerca de um metro e meio de altura. Demônios insectais estavam em grande número naquele lugar, o que não era uma surpresa. Aqueles seres não eram propriamente demônios, apesar da classificação. Eles eram subprodutos de um demônio do tipo rainha que os gerava através de ovos e almas humanas. Não possuíam uma alma escura própria, mas um fragmento do demônio original. Isso fazia com que tivessem uma inteligência bem baixa, mas ainda permitia que ele absorvessem almas e as levassem para sua mestra. Seres não inteiramente racionais que estavam mais próximos de monstros do que demônios. Sua forma tinha variações dependendo do tipo de ovo que os gerou e ali eles eram dois tipos: os pequenos e ágeis caçadores; e os enormes e fortes coletores. Sua mente os limitava a ordens simples, que eles pareciam estar executando, como caçar criaturas grandes, as carregar para dentro da cidade e não matar os humanos residentes.
Invisível, John aproximou-se com cautela da entrada da vila e pôs-se a bisbilhotar para dentro do arco de pedra que formava o portão. No lado de fora, dentro de um buraco de três metros de profundidade, alguns homens cavavam ao redor do muro, no que provavelmente seria um fosso futuramente. Um deles estapeou o rosto com raiva.
- Por que insetos adoram a nossa cara? - ele falou, irritado.
- Talvez você só os note quando estão na sua cara - disse outro, ambos sentaram para descansar enquanto os outros tiravam a terra com baldes.
Faz sentido, Stuff comentou na mente de John.
- Quê? - ele sussurrou.
Não estava prestando atenção na conversa, em vez disso, observava uma mulher que saía da vila com um balde cheio de miúdos de animais. Os vigias insectais se eriçaram e moveram as asas enquanto olhavam para a mulher. Ela despejou o balde dentro do fosso e os insectais pularam lá.