sexta-feira, 10 de junho de 2016

Companhia

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Era um apartamento bem pequeno, em uma espécie de condomínio do subúrbio. Shade vivia ali havia cerca de dois anos e a cada dia que passava, tinha mais dificuldade de lembrar como era sua vida antes de se acomodar àquela rotina. Sua esposa o deixara havia bem mais tempo e, depois de várias brigas judiciais, ela havia levado o antigo apartamento que ambos se esforçaram tanto para quitar. Ela passou a viver com o novo namorado e Shade se mudou para bem longe.
Shade entrou em seu apartamento e cumprimentou Moony. A garota de cerca de vinte anos o saudou com sua energia infinita e um sorriso enorme.
- Fiz carinho num gato hoje! - ela disparou - Tinha uma mancha no olho como um mini-panda!
- Legal - comentou Shade, tirando as botas embarradas e as depositando perto da porta, ao lado de onde escorara o guarda-chuva.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Capítulo 6 - Noite sem estrelas (O Deolacrum)


A primeira coisa que sentiu foi a dor. Suas pernas latejavam e se retesavam em agonia. Demorou alguns instantes para perceber que aquela dor lhe pertencia, encravada em seu ser. Estava de bruços, respirando tremulamente e com o rosto enfiado na grama dura. Notou uma dor surda nos dentes e mandíbula. Tentou se mover e a dor nas pernas explodiu, como se milhares de cacos de vidro rasgassem sua pele. John arrastou-se para perto de uma árvore e deu uma olhada em si, sentando-se com as costas escoradas. Vestia uma confusão de retalhos com inúmeras manchas escuras, que percebeu serem os restos de seu sobretudo. Sua calça estava bastante puída e manchada de sangue seco. Rangendo os dentes, ele tirou o cinto onde a bainha de uma única de suas espadas estava pendurada, jogando para o lado, e baixou as calças com cuidado. Esperava encontrar inúmeros insetos a bicarem-lhe, mas o que viu fez John soltar uma bufada de terror: suas pernas estavam enroladas apertado com metros e mais metros de arame farpado. Viu o brilho prateado do metal de suas setas e temeu por um segundo que também estivessem cravadas na carne, mas elas haviam sido colocadas de modo a unir o trançado do arame. Ele supos que, se puxasse-as, conseguiria desamarrar as pernas com mais facilidade.
Então você acordou mesmo, disse uma voz em sua cabeça.
John sentiu seu coração palpitar de medo, mas uma onda de tranquilidade o inundou em seguida.