segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Confiança

Capítulo anterior aqui

     A hospedaria não estava exatamente cheia. Haviam lugares a se escolher e as atendentes não estavam muito ocupadas. Num canto quieto, as gotas de chuva escorriam preguiçosamente pela janela, observadas por uma jovem atraente sentada a uma mesa, sozinha. Seus cabelos de um louro claro, curtos, mal chegando até os ombros. Eram lisos, descrevendo arcos em direção ao pescoço. A franja, comprida como os outros fios, cobrindo parcialmente o rosto, as mãos unidas apoiando o queixo fino e os olhos verdes de expressão cuidadosamente vazia tinham o objetivo de desestimular abordagens, mas isto fora ignorado várias vezes. Erika aguentou alguns "Posso lhe oferecer uma bebida?", "A moça tem companhia?" e até um "Quem deixaria uma dama tão bela esperando?". Depois decidiu pedir um par de canecos de madeira com uma cerveja grossa, que a atendente indicou como ideal para dois viajantes. Ambas as bebidas uniram-se sem protesto na espera, e serviram melhor do que ela esperava para alertar novos clientes que entravam de que ela não estava ali para investidas. Viu pelo reflexo do vidro, espelhado pela fria noite lá fora, um homem atravessar a porta do bar. Tinha um sobretudo característico de um evocador mercenário: gola alta, cinza e gasto. As mangas propositalmente compridas cobriam a pedra de Aliir nas costas de sua luva direita. Carregava duas espadas curtas presas a um grosso cinto de tiras de couro em ambos os lados do corpo. Ele tirou o capuz e olhou em volta, batendo distraidamente a água da roupa. Seus olhos e cabelo eram tão pretos quanto a cor podia ser. A tez pálida como uma vela e a expressão cansada. Tal expressão iluminou-se um pouco com um vago sorriso ao avistar Erika. John sentou a sua frente e, como ela o ignorou, continuando a fitar a noite, falou a seu reflexo: - Desculpe se demorei - deu-lhe um sorriso comedido que ela respondeu com um olhar frio - Oh - notou o caneco em seu lado da mesa - Não percebi que a dama estava acompanhada - fez uma mesura exagerada e fez menção de se levantar.